http://www.tvalvoradars.k6.com.br/
                       
           
          | Login | Crie o seu Jornal Online FREE!

A HORA DO AXÉ
Desde: 05/01/2010      Publicadas: 4      Atualização: 14/01/2010

Capa |  BARÁ  |  HISTORIA DA NAÇÃO CABINDA RS  |  OBA  |  ODE OTIM  |  ÒGÚN  |  ORIXÁS DA NAÇÃO CABINDA  |  OSSANHA  |  OXALA  |  OXUM  |  XANGÔ  |  XAPANA  |  YANSA  |  YEMANJA


 ORIXÁS DA NAÇÃO CABINDA
  14/01/2010
  0 comentário(s)


ORIXAS DO BATUQUE RS
ORIXAS DO BATUQUE RSOXALA
É o Orixá maior e mais velho, o primeiro a ser criado. Transmite aos seus filhos calma, respeitabilidade e confiança.

Dia da semana: domingo e quarta-feira para Oxalá Moço.
Cor: branca e preto com branco Para o Oxalá Orumilaia.
Número de axés: 08, 16, 32, 64, etc...
Comida: Canjica branca com Coco
Guia: branca, Preta com Branco Orumilaia.
Parte do corpo que Oxalá rege: Os Olhos
Ferramentas: paxorô, cruz, bastão.
Ave: galinha branca; galinha preta para Oxalá de Orumilaia e casal de galinha d'angola branca ou casal de marrecos
Pombo: branco
Quatro - pé: cabrita branca
Peixe: jundiá.
Lugar de oferenda: Praia (de preferência de Mar)
Fruta: Uva branca, pêra, bergamota, mamão e coco.
Bicho: Ebi (caracol)
Flor: Lírio Branco
Função: Amor e união
Sobrenomes de Orixás: Efã, Dacum, Ifá, Bonefã, Bicuí, Dê, Tobí, Jobocum, Bocum, Dilá, Orumilaia, Obitalá, Sapatá - Orocô, Alufan, Ebi, Lifan, Domaia, Orocum.
Características: Orixá da paz, Pai de todos, casa com Iemanjá e Oxum Docô.
Dia do Ano: 25 De Dezembro
Doce: Cocada, merengue, doce de leite, pudim, doce de coco.
Ervas: Oro, Mamoeiro, Manjericão, erva de bugre.
Saudação: Epaô- Ebaba
Apelido: Babão, Pai
Santo que o representa: Jesus Cristo
Dia do Ano: 25 de Dezembro

É o Orixá supremo, considerado o Pai de todos. Orixá, do equilíbrio, da fraternidade, da união. Senhor do branco, da pureza. É um orixá calmo, pacificador, associado á paz . Seus filhos são pessoas inteligentes e aprendem com muita facilidade, adapta-se facilmente a qualquer situação.

Características Positivas: participativos e criativos. Vaidosos, bonitos e elegantes. Trabalhadores e com muita força de vontade.

Características Negativas: Usam a falsidade como defesa, apressados, sarcásticos, mentirosos, fúteis, hipocondríacos, gostam de intrigas e fofocas; Lentos, meticulosos, reacionários e exclusivistas.

Lendas

Òrìsànlá ou Obàtálá, "O Grande Orixá" ou "O Rei do Pano Branco". Foi o primeiro a ser criado por Olodumaré, o deus supremo. Tinha um caráter bastante obstinado e independente.

Oxalá foi encarregado por Olodumaré de criar o mundo com o poder de sugerir (àbà) e o de realizar (àse). Para cumprir sua missão, antes da partida, Olodumaré entregou-lhe o "saco da criação". O poder que lhe fora confiado não o dispensava, entretanto de submeter-se a certas regras e de respeitar diversas obrigações como os outros orixás. Uma história de Ifá nos conta como. Em razão de seu caráter altivo, ele se recusou fazer alguns sacrifícios e oferendas a Bará, antes de iniciar sua viagem para criar o mundo.

Oxalá pôs-se a caminho apoiado num grande cajado de estanho, seu òpá osorò ou paxorô, cajado para fazer cerimônias. No momento de ultrapassar a porta do Além, encontrou Exu-Bará, que, entre as suas múltiplas obrigações, tinha a de fiscalizar as comunicações entre os dois mundos. Exu-Bará descontente com a recusa do Grande Orixá em fazer as oferendas prescritas, vingou-se o fazendo sentir uma sede intensa. Oxalá, para matar sua sede, não teve outro recurso senão o de furar com seu paxorô, a casca do tronco de um dendezeiro. Um líquido refrescante dele escorreu: era o vinho de palma. Ele bebeu-o ávida e abundantemente. Ficou bêbado, e não sabia mais onde estava e caiu adormecido. Veio então Olófin-Odùduà, criado por Olodumaré depois de Oxalá e o maior rival deste. Vendo o Grande Orixá adormecido, roubou-lhe o "saco da criação", dirigiu-se à presença de Olodumaré para mostrar-lhe o seu achado e lhe contar em que estado se encontrava Oxalá. Olodumaré exclamou: "Se ele está neste estado, vá você, Odùduà! Vá criar o mundo!" Odùduà saiu assim do Além e encontrou diante de uma extensão ilimitada de água. Deixou cair a substância marrom contida no "saco da criação". Era terra. Formou-se, então, um montículo que ultrapassou a superfície das águas. Aí, ele colocou uma galinha cujos pés tinham cinco garras. Esta começou a arranhar e a espalhar a terra sobre a superfície das águas. Onde ciscava, cobria as águas, e a terra ia se alargando cada vez mais, o que em iorubá se diz ilè nfè, expressão que deu origem ao nome da cidade de Ilê Ifé. Odùduà aí se estabeleceu, seguido pelos outros orixás, e tornou-se assim o rei da terra.

Quando Oxalá acordou não mais encontrou ao seu lado o "saco da criação". Despeitado, voltou a Olodumaré. Este, como castigo pela sua embriaguez, proibiu ao Grande Orixá, assim como aos outros de sua família, os orixás funfun, ou "orixás brancos", beber vinho de palma e mesmo usar azeite-de-dendê. Confiou-lhe, entretanto, como consolo, a tarefa de modelar no barro o corpo dos seres humanos, aos quais ele, Olodumaré, insuflaria a vida.

Por essa razão, Oxalá também é chamado de Alámòrere, o "proprietário da boa argila". Pôs-se a modelar o corpo dos homens, mas não levava muito a sério a proibição de beber vinho de palma e, nos dias em que se excedia, os homens saiam de suas mãos contrafeitas, deformadas, capengas, corcundas. Alguns, retirados do forno antes da hora, saíam mal cozidos e suas cores tornavam-se tristemente pálidas: eram os albinos. Todas as pessoas que entram nessas tristes categorias são-lhe consagradas e tornam-se adoradoras de Orixalá.

Mais tarde, quando Orixalá e Odùduà reencontraram-se, eles discutiram e se bateram com furor. A lembrança dessas discórdias é conservadas nas histórias de Ifá. As relações tempestuosas entre divindades podem ser consideradas como transposição ao domínio religioso de fatos históricos antigos. A rivalidade entre os deuses dessas lendas seria fabulação de fatos mais ou menos reais, concernentes à fundação da cidade de Ifé, tida como o "berço da civilização iorubá e do resto do mundo".

Dona dos mares, do pensamento. Protetora dos pescadores e marinheiros. Seus filhos são fortes, rigorosos, mediúnicos e portadores de sensibilidade e intuição aguçados.


yemanja
Dia da semana: sexta-feira
Cor: azul claro
Número de axés: 08, 16, 32, 64, etc...
Comida: canjica branca com merengues e arroz de leite
Bicho de estimação: marisco
Guia: contas azuis claro
Parte do corpo que Iemanjá rege: cabeça
Ferramentas: âncora, lua, concha e leme.
Ave: galinha branca, casal galinha d'angola branca ou casal de patos branco ( vale meio quatro pé).
Pombo: pombos brancos
Quatro - pé: ovelha
Peixe: jundiá.
Lugar de oferendas: praia (de preferência água salgada)
Frutas: melancia e coco
Saudação: omio - odo xerere, Odoyá
Apelido: remosa
Flor: hortênsia, palma azul, rosas azuis.
Dia do ano: 02 de fevereiro
Função: união e abafamento
Sobrenomes de Orixás: Boci, Bomi, Omi-Mare, Dilá, Omioé, Olobami, Bociaria, Bemi, Oni Docô, Olomi, Olobomi, Iarequê, Anaréu, Omiremí, Nana, Ogueremí, Iemí, Omí-Ossí, Tola, Ossí.
Características: rainha do mar, teve só um filho (Odé) com Oxalá.
Doce: merengue, doce de coco.
Ervas: manjericão roxo, arnica, onda do mar e alfazema.
Santo que a representa: Nossa Senhora dos Navegantes

Divindade das águas salgadas, dos mares e oceanos, Orixá que gera o movimento das águas, Deusa da pérola. Protetora dos pescadores e marinheiros. Senhora dos lares, que traz paz e harmonia para toda a família. Dona do pensamento, por isso é a ela que recorremos para solucionar problemas de depressão e de instabilidade emocional.

Características Positivas: Seus filhos são dotados de franqueza, alegria, desconfiança, sabedoria e competência. Decididos, honestos e corretos. Inteligentes, criativos. São pessoas que gostam do trabalho e dedicam-se inteiramente à família.

Características Negativas: demasiadamente exigentes, quando com raiva, destroem uma pessoa com um simples olhar. Quando ofendidas perdoam, mas jamais esquecem. Cruéis e egoístas, são do tipo donos da verdade. Dramáticos e fatalistas, se irritam facilmente.

Lendas

Iemanjá seria filha de Olòókun, deus (em Benin) ou deusa (em Ifé) do mar. Numa história de Ifá, ela aparece "casada pela primeira vez com Orunmilá, senhor das adivinhações, depois com Olofin, rei de Ifé, com o qual teve dez filhos, cujos nomes enigmáticos parecem corresponder a tantos outros orixás. Dois deles são facilmente identificados: Òsùmàrè-ègò-béjirìn-fonná-diwó ('O arco - íris - que - se - desloca - com - a- chuva - e - guarda - o - fogo - nos - seus - punhos) e Arìrà-gàgàgà-tí-í-béjirín-túmò-eji ("O trovão - que - se - desloca - com - a - chuva - e - revela - seus - segredos") . Essas denominações representam, respectivamente, Oxumaré e Xangô.

Iemanjá, cansada de sua permanência em Ifé, foge mais tarde em direção ao Oeste. Outrora, Olóòkun lhe havia dado, por medida de precaução uma garrafa contendo um preparado, pois "não se sabe jamais o que pode acontecer amanhã", com a recomendação de quebrá-la no chão em caso de extremo perigo. E, assim, Iemanjá foi instalar-se no "Entardecer da Terra", o Oeste. Olofin-Odùduà, rei de Ifé, lançou seu exército à procura da sua mulher. Cercada, Iemanjá, em vez de se deixar prender e ser conduzida da volta a Ifé, quebrou a garrafa, segundo as instruções recebidas. Um rio criou-se na mesma hora, levando-a para Òkun lugar de residência de Olóòkun.


oxum
É responsável pela irrigação e fecundação da terra, possibilitando o surgimento de uma nova vida. Ela é freqüentemente evocada para propiciar uma boa colheita.

Dia da semana: sábado
Cor: amarelo
Números de axés: 04, 08, 16, 32, 88
Comida: canjica amarela, polenta, farinha de milho com mel.
Guias: amarelo
Função: amor, demanda e amarração.
Parte do corpo que Oxum rege: aparelho reprodutor feminino e seio
Ferramentas: leque, búzios, jóias, espelho, pente, meia lua, conchas de rio ou mar.
Ave: galinha amarela, galinha d'angola branca ou casal de marrecos.
Pombo: branco
Quatro - pé: cabrita amarela
Peixe: jundiá.
Ervas: fortuna, dinheirinho em penca, folha de laranjeira e manjericão.
Lugar de oferendas: praias de água doce, rios, verde e praças.
Frutas: maçã, bergamota, Pêssego, mamão.
Bicho de estimação: aranha
Flor: rosas amarelas ou outras flores amarelas
Sobrenomes de Orixás: Pandá, Docô, Ieiê-roxô, Male, Adililá, Tuqué, Aguedã, Mirerê, Dada, Delê, Dila, Demum, Tola, Omimaré, Taladê, Panda Mirê, Nanã, Iecariê
Características: Docô: mãe de todos os orixás, rainha das águas doces, rainha de Ijexá
Doce: quindim, pudim, ambrosia, bolos e torta.
Saudação: ei-eu ; ora-iê-iê-io
Apelido: mãe
Dia do ano: 08 de dezembro
Santos que a representa: Nossa Senhora do Carmo, Nossa Senhora Aparecida, e Nossa Senhora da Conceição.

Dona do ouro, da riqueza e das águas doces. Padroeira dos negócios e da fecundidade protege o feto e a criança em gestação.

Mulheres grávidas ou que querem engravidar recorrem a Oxum que lhe dê proteção. Existem três tipos de Oxum: Oxum Pandá: moça, faceira, coquete vaidosa; Oxum Demum: de meia idade e a Oxum Docô: idosa e matriarca.

Nas festas públicas as rezas de Oxum concentram o maior número de participantes, pois todos querem agradar a orixá da beleza e da riqueza. Oxum juntamente com Orumilaia e Bará é quem preside o Ifá (Jogo de Búzios), respondendo em casos de saúde, de harmonia familiar e de prosperidade. Em suas oferendas sempre encontramos mel que representa doçura, flores e perfumes que representam a beleza da vida, jóias significando riqueza.

Características Positivas: seus filhos são pensativos, elegantes, charmosos, atenciosos, trabalhadores, espertos e têm um quê doce no olhar. São vaidosos, afetivos e carismáticos. Como profissionais, as pessoas regidas por Oxum são sensatas e dedicadas. Amam com sinceridade e dedicação. Conhecem o feitiço e fazem bom uso dele. Quando fixam um objetivo não medem sacrifício para conseguir atingir sua meta.

Características Negativas: chantagistas, choram para ter a piedade dos outros, dramáticos, são matreiros, debochados, possessivos, exigentes, ciumentos, autoritários. Gostam de palpitar sobre os problemas alheios, adoram criticar.

Lendas

As mulheres que desejarem ter filhos dirigem-se a Oxum, pois ela controla a fecundidade, graças aos laços mantidos com Ìyámi-Ajé ("Minha Mãe Feiticeira)". Sobre este assunto uma lenda conta que:

"Quando todos os orixás chegaram a terra, organizaram reuniões onde as mulheres não eram admitidas. Oxum ficou aborrecida por ser posta de lado e não poder participar de todas as deliberações. Para se vingar, tornou as mulheres estéreis e impediu que as atividades desenvolvidas pelos deuses chegassem a resultados favoráveis. Desesperados, os orixás dirigiram-se a Olodumaré e explicaram-lhe que as coisas iam mal sobre a terra, apesar das decisões que tomavam nas assembléias. Olodumaré perguntou se Oxum participava das reuniões e os orixás responderam que não. Olodumaré explicou-lhe então que, sem a presença de Oxum e de seu poder sobre a fecundidade, nenhum de seus empreendimentos poderia dar certo. De volta a terra, os orixás convidaram Oxum para participar de seus trabalhos, o que acabou por aceitar depois de muito lhe rogarem. Em seguida, as mulheres tornaram-se fecundas e todos os projetos obtiveram felizes resultados".

Diz uma lenda que Oxum passeava na floresta brincando os animais, que são seus amigos, desfilando seu ar coquete e sensual. Foi assim que Ogum - homem rude, bruto e violento - a avistou. Diante da beleza e graça de Oxum, Ogum sentiu que se apaixonava por Oxum e correu para ela. Declarando seu desejando e implorando seu amor. Mas ela só tinha olhos para Xangô, por quem estava enamorada. Assustada com a atitude de Ogum começou a correr pela mata, fugindo de seu pretendente que a seguia de perto. Desesperada se atirou nas água de um rio, cuja corrente a arrastou rapidamente para bem longe de Ogum, mas ameaçava afoga-la. Levada pela correnteza, chegou até a desembocadura, onde encontrou Iemanjá. Compadecida, a senhora mãe das águas a protegeu e presenteou Oxum com aquele rio para ela pudesse viver. Ainda lhe presenteou com corais, jóias e cauris. Assim, Oxum encantou o seu amado Xangô com a sua riqueza e beleza e passou a viver no rio, que hoje leva o seu nome, tornando-se amiga inseparável de Iemanjá



oba

Orixá feminino muito forte e enérgico. Seus filhos buscam sucesso material com grande avidez e cuidado, para não perderem nada.

Dia sa Semana: Quarta-feira
Cor: Rosa
Número de Axés: 07, 14, 89, etc...
Comida: Milho cozido com 07 tiras de coco fatiado (Axoxó)
Guias: contas rosa
Parte do corpo que Obá rege: orelha e aparelho auditivo
Ferramentas: punhal, gilete, navalha, facão.
Ave: galinha cinza e casal de galinhas d'angola
Pombo: cinza escuro
Quatro - pé: cabrita clara e mocha
Peixe: pintado.
Lugar de Oferendas: cemitérios, mato, estradas e beira de rios com corredeiras.
Frutas: abacaxi e romã
Bicho de estimação: Rã
Flor: rosas cor salmão
Função: demanda e dano
Sobrenomes de Orixás: Orim, Dilê, Dê, Bi, Obaní, Bomí, Bomoré, Tumiké, Ladê, Insu, Anagô
Características: tem só uma orelha
Apelido: Menina
Doce: doce de abacaxi
Ervas: Arruda
Santo que a representa: Santa Catarina
Saudação: Echó
Dia do Ano: 25 De Novembro

Orixá guerreira dança como se estivesse empunhando uma navalha, cortando os males. É muito forte e enérgica, possui entre seu axé o corte, tendo entre seus objetos mágicos a navalha e um facão. Está associada a tudo o que lembre máquinas e movimento, pois é a dona da roda. Uma das esposas de Xangô, divindade das pedras das encostas. Orixá de grande poder e sabedoria. É originária da terra de Takua, onde era filha do rei Obatilia. Apesar de ser um orixá feminino tinha um corpo atlético e musculoso, desafiou alguns orixás masculinos à luta e saiu vitoriosa de vários.

Características Positivas: Seus filhos são pessoas justas, honestas, equilibradas, fiéis, educadas e competentes. São grandes conselheiros e de grande sobriedade.

Características Negativas: Gostam de intrigas e de uma boa briga. Ciumentas, invejosas, são sempre muito interesseiras e reclamam demais.

Lendas

Certa vez desafiou Ogum para um combate. O guerreiro, porém antes da luta foi consultar um Babalaô, que o ensinou a fazer uma pasta de milho e quiabo pilados. Ogum esfregou esta pasta no local destinado ao combate. Obá perdeu o equilíbrio, escorregou e caiu no chão. Ogum aproveitou-se disso e ganhou a luta.

Mais tarde, quando Obá tornou-se a terceira mulher de Xangô, uma grande rivalidade não demorou a surgir entre ela e Oxum. Esta jovem e elegante; Obá era mais velha e usava roupas fora de moda, fato que nem chegava a se dar conta, pois pretendia monopolizar o amor de Xangô. Com este objetivo, sabendo que Xangô era guloso, procurava sempre surpreender os segredos das receitas de cozinha utilizadas por Oxum, a fim de preparar as comidas de Xangô. Oxum, irritada, decidiu pregar-lhe uma peça e, um belo dia, pediu-lhe que viesse assistir um pouco mais tarde, à preparação de determinado prato que, segundo lhe disse Oxum maliciosamente, realizava maravilhas junto a Xangô. Oxum, tendo a cabeça atada por um pano lhe escondia as orelhas, cozinhava uma sopa na qual boiavam dois cogumelos. Oxum mostrou-os à sua rival, dizendo-lhe que havia cortado as próprias orelhas, colocando-as para ferver na panela, a fim de preparar o prato predileto de Xangô. Este, chegando logo, tomou a sopa com apetite e deleite e retirou-se, gentil e apressado, em companhia de Oxum.

Na semana seguinte, era a vez de Obá cuidar de Xangô. Ela decidiu pôr em prática a receita maravilhosa: cortou uma de suas orelhas e cozinhou-a numa sopa destinada ao seu marido. Este não demonstrou nenhum prazer em vê-la com a orelha decepada e achou repugnante o prato que ela lhe serviu. Oxum apareceu, neste momento, retirou seu lenço e mostrou que suas orelhas jamais haviam sido cortadas nem devoradas por Xangô. Começou, então, a caçoar da pobre da Obá, que, furiosa, precipitou-se sobre sua rival. Segui-se uma luta corporal entre elas. Xangô, irritado, fez explodir o seu furor. Oxum e Obá, apavoradas, fugiram e se transformaram nos rios que levam os seus nomes. No local de confluência dos dois cursos de água, as ondas tornam-se muito agitado em conseqüência da disputa entre as duas divindades.


xapana



Dono das doenças em geral. As pessoas dedicadas a este orixá mostram-se sofredoras, são capazes de abster-se de suas necessidades e interesses para consagrarem o bem-estar dos outros.

Dia da semana: quarta -feira
Cor: lilás, roxo, vermelho com preto.
Número de axés: 07, 14, 77, etc...
Comida: milho, feijão preto e amendoim torrados
Guias: 07 pretas e 07 vermelhas
Parte do corpo que Xapanã rege: pele
Ferramentas: cruz foice, corrente, vassoura e búzio.
Ave: galo preto prateado e casal de galinhas d'angola
Pombo: preto
Quatro - pé: carneiro preto ou cabrito escuro
Peixe: pintado.
Lugar de oferenda: mata, cemitério, e lugar de espinho.
Fruta: uva preta, amendoim e café
Bicho de estimação: cachorro e mosca
Função: dono da doença
Flor: lírio roxo
Sobrenome de Orixás: Jubiteiú, Bidansú, Taió, Tonhô, , Omilaió, Biguensú, Ledjú, Obaluaê, Kostangue, Onobo, Sapatá, Barum, Omolú, Biotá, Sobô, Jobitaío, Buruku, Fomilaío, Balua e Orocô
Características: dono da doença
Apelido: mosqueiro
Doce: rapadura de amendoim
Ervas: guanxuma, arruda e gervão.
Santo que o representa: São Lázaro e Senhor dos Passos
Saudação: Abáo
Dia do ano: 17 de dezembro

Também conhecido como Omulu ou Obaluaê, Xapanã é o termo mais utilizado no Batuque.É uma das mais importantes divindades cultuadas nos cultos Afros, pois está ligado á saúde. Orixá que gera o bom funcionamento do organismo, Deus das pestes e das moléstias. Possui o rosto coberto pelo filá (espécie de máscara feito com palha da costa) para evitar que se olhe diretamente no rosto a marca deixada pelas chagas. Xapanã é o orixá feiticeiro e faz parte de seus objetos mágicos o pilão com o qual esmaga seus feitiços e a vassoura com que varre os males. Considerado velho, impertinente, ranzinza e vingativo, Xapanã é muito respeitado pelo povo Batuqueiro.

Este orixá tem duas formas de representação: Xapanã velho e o jovem, o Xapanã Sapatá. O primeiro tem forte passagem junto aos mortos sendo ele extremamente importante nos rituais fúnebres. As pessoas dedicadas a este orixá mostram-se introspectivos, reservados, observadores, modestos, simples e misteriosos, são capazes de abster-se de suas necessidades e interesses para consagrarem o bem-estar dos outros. São também apaixonados e estão sempre vivendo um grande amor, normalmente frustrado. Amantes constantes e excelentes parceiros.

Características Positivas: pensativo, prestativo, sinceros, honestos, desinibidos, sóbrios, equilibrados, decididos e falantes.

Características Negativas: Rabugentos, ranzinzas, são do tipo nervosos e ansiosos, vingativos, jamais esquecem uma ofensa.

Lendas

"Obaluaê era originário de Empé (Tapá) e havia levado seus guerreiros em expedição aos quatro cantos da terra. Uma ferida feita por suas flechas tornava as pessoas cegas, surdas ou mancas. Obaluaê-Xapanã chegou assim ao território mahi no norte do Daomé, batendo e dizimando seus inimigos, e pôs-se a massacrar e a destruir tudo o que encontrava a sua frente. Os mahis, porém, tendo consultado um babalaô, aprenderam como acalmar Xapanã com oferendas de pipocas. Assim, tranqüilizado pelas atenções recebidas, Xapanã mandou-os construir um palácio onde ele passaria a morar, não mais voltando ao país Empê. O Mahi prosperou e tudo se acalmou. Apesar dessa escolha, Xapanã continua a ser saudado como Kábíyèsí Olútápà Lempé (" Rei de Nupê em país Empê).

Conta uma lenda que um caçador dedicado ao culto de Obaluaê encontrou na selva um grande antílope e preparou-se para abate-lo. Naquele momento o bicho empinou suas patas dianteiras e, instantaneamente, o dia escureceu, impedindo o tiro do caçador. Quando a luz voltou, o jovem se viu diante de um feiticeiro (Aroni), que lhe entregou um patuá poderoso - que deveria ser colocado diante de sua casa - e um apito, com o qual ele poderia chamá-lo em cãs de necessidade. Sete dias se passaram quando a terra do Molusi (Omulu) foi assolada por uma peste de varíola. Lembrando-se do Aroni, o caçador soou o apito e lhe apareceu o mago, que era o próprio Xapanã, que debelou a varíola e fez do seu Molusi o rei daquela terra, onde foi erigido um grande templo dedicado a Xapanã



ossanha


É a divindade das folhas e das plantas medicinais. Considerado o orixá médico. Os filhos de ossanhã são pessoas de caráter equilibrado, que controlam seus sentimentos e emoções e não são influenciáveis.

Dia da semana: segunda-feira
Cor: verde e branco
Número de Axé: 14, 70, 370, etc.
Comidas: couve passada na panela com dendê (epô) e farofa
Guias: 07 contas brancas e 07 contas verdes
Ferramentas: corrente, búzios, moeda, canivete, muleta.
Ave: galo arrepiado e casal de galinha d'angola
Pombo: escuro
Quatro - pé: cabrito baio
Peixe: pintado.
Lugar de oferendas: mata ou cruzeiro
Sobrenome dos Orixás: Guê, Ebi, Tola, Olobomi, Dilá, Dupé, Erumalé, Oruele, Ologumani, Tae, Edemi, Iborô, Talabi, Emi-cô, Guiní, Bomí, Dei, Omioã.
Bicho de estimação: cágado e formiga.
Função: demanda, doença.
Fruta: pitanga, abacate, figo.
Flor: cravo
Característica: dono da mata tem uma perna só.
Apelido: perneta
Ervas: pitangueira, arruda, eucalipto cheiroso.
Parte do corpo que Ossanha rege: pé e pernas.
Doce: doce de figo.
Saudação: Eu Eu
Santos que o representa: São Marcos e São Roque
Dia do ano: 25 de abril.
Também chamado de Ossãe, Ossaim ou Ossanhe. Considerado a Divindade da medicina, por guardar consigo os segredos místicos e curativos das folhas e plantas. Patrono dos aleijados, pois tem uma só perna, é representado portando uma muleta, objeto que lhe é consagrado.Quando este Orixá vem ao mundo, usando da possessão de filho, fica dançando horas numa perna só, sem colocar o pé no chão, o mostram o poder do orixá e a confirmação da possessão, pois ninguém conseguiria dançar tantas horas apoiado numa só perna.

Ossanha representa a sabedoria ancestral do homem, que permite o domínio da natureza. Em quase todos os fetiches e axés feitos para a saúde invoca-se o Ossanhã, que além de ser o orixá da cura também é de índole bondosa e jamais deixaria de atender um pedido.

Características Positivas: Reservados, estudiosos, sinceros e obedientes, dono de grande poder de persuasão, os regidos por este Orixá, são sensitivos, equilibrados e não confiam facilmente nos outros a fim de preservar seus segredos, pois são extremamente misteriosos e não são influenciáveis. Cientistas natos adoram criar e descobrir coisas novas.

Características Negativas: São feiticeiros, são traiçoeiros, misteriosos, capazes de qualquer maldade para ter aquilo que querem. Não fazem muitos amigos, nem suas amizades são duradouras, são volúveis e raramente bem sucedidos no amor.

Lendas

Cada divindade tem as suas ervas e folhas particulares, dotadas de virtudes, de acordo com a personalidade do deus. Lydia Cabrera publicou uma lenda interessante, sobre a repartição das folhas entre as divindades:

"Ossanha havia recebido de Olodumaré o segredo das ervas. Estas eram de sua propriedade e ele não as dava a ninguém, até o dia e que Xangô se queixou à sua mulher, Oiá-Iansã, senhora dos ventos, de que somente Ossanha conhecia o segredo de cada uma dessas folhas e que outros deuses estavam no mundo sem possuir nenhuma planta. Oiá levantou suas saias e agitou-as impetuosamente. Um vento violento começou a soprar. Ossanha guardava o segredo das ervas numa cabaça pendurada no galho de árvore. Quando viu que o vento havia soltado a cabaça e que esta tinha se quebrado ao bater no chão, ele gritou: 'Ewé O! Ewé O!' ('Oh! As folhas! Oh! As folhas!'), mas não pôde impedir que os deuses as pegassem e as repartissem entre si".

Segundo uma lenda recolhida por Bernard Maupoil, quando Orunmilá veio ao mundo, pediu um escravo para lavrar seu campo; comprou-lhe um no mercado; era Ossanha. Na hora de começar seu trabalho, Ossanha percebeu que ia cortar a erva que curava a febre. E então gritou: 'Impossível cortar esta erva, pois é muito útil.' A segunda curava dores de cabeça. Recusou-se também a destruí-la. A terceira suprimia cólicas. 'Na verdade', disse ele, 'não posso arrancar ervas tão necessárias.' Orunmilá, tomando conhecimento da conduta de seu escravo, demonstrou desejo de ver essas ervas, que ele se recusava a cortar e que tinham grande valor, pois contribuíam para manter o corpo em boa saúde. Decidiu, então, que Ossanha ficaria perto dele para explicar-lhe as virtudes das plantas, das folhas e das ervas, mantendo-o sempre ao seu lado na hora das consultas.

ode otim

Orixás caçadores, vivem nas matas. Seus filhos são pessoas espertas e com iniciativa, gostam de descobertas e novidades.

Dia da semana: sexta-feira
Cor: Odé azulão; Otim azul claro intercalado com azulão.
Número de axés: 04, 08, 16, 32, 180.
Comida: farofa doce com costela de porco assada com mel
Guias: azulão para Odé, azul claro intercalado com azulão para Otim.
Parte do corpo que Odé rege: pulmão e garganta
Ferramentas: flecha com arco, lança e estilingue, bolinhas de gude.
Ave: galo pintado e para Otim galinha pintada, casal de galinha d'angola.
Pombo: escuro ou branco
Quatro - pé: porco para Odé; porca para Otim.
Peixe: pintado.
Lugar de oferendas: mata e praia
Frutas: uva preta, maçã, butiá e araçá.
Função: amarração e demanda
Sobrenome de Orixás:
Odé: Linde, Jubim, Emí, Avagan, Lobomí, Ridê, Tola, Olobomí, Fabiorô
Otim: Anidon, Dígala,Obérémi, Emí, Aridã, Tola, Olobomí,Renique,Talabí,Iborô
Flor: lírio roxo
Características: dono da mata e caçador
Apelido: caçador, Odé e Otim: gorda.
Ervas: folha de araçá e butiá
Doce: cocadinha e merengue
Saudação: oque bambo Odé, oque bambo Otim ou oké arô
Santos que o representa: São Sebastião; Otim Santa Rita de Cássia.
Dia do Ano: 21 de Janeiro

Odé é no Batuque o orixá que corresponde a Oxossi no Candomblé Orixás caçadores vivem nas matas a fim de caçar e garantir a subsistência dos homens. Odé e Otim formam um casal inseparável, onde está Odé está Otim. Odé é representado por um menino portando arco e flecha, suas ferramentas para a caça e Otim porta um cântaro que carrega na cabeça.Orixás da fartura e dos excessos, Odé tem fama de generoso e bom, segundo Érico do Ogum: "ele caça, mas fica com pena e remorso e dá a caça a Otim que come tudo rapidamente, sendo apelidada de gorda". São poucos os filhos de cabeça do Orixá Otim, talvez isto explique o seu quase esquecimento no culto, sendo Odé o mais conhecido, este sim com vários filhos. A beleza de Odé estende-se a seus filhos assim como suas características. Odé jamais pode ser esquecido, pois se sente excluído e abandonado e não perdoa facilmente uma falta como esta.

Características Positivas: Filhos de Odé são pessoas espertas e com iniciativa, nasceram para a liberdade, inteligentes, meigos, exigentes, cultos e sensíveis de temperamento infantil, brincalhão, participante e alegre. Amantes irresponsáveis amam sobre tudo a natureza e a liberdade.Tem grande sensibilidade artística, são extremamente organizados, podem ser grandes amigos e estão sempre prontos para tudo.

Características Negativas: ciumentos, possessivos e inseguros. Narcisistas, egoístas, vaidosos a ponto de acharem que são os melhores em tudo. Temperamentais, quando estão com raiva podem até ficar perigosos. Aborrecem-se fácil e por qualquer motivo.

Lendas

Conta-se no Brasil que Odé era irmão de Ogum e de Bará, todos os três filhos de Iemanjá.Bará era indisciplinado e insolente com sua mãe e por isso ela o mandou embora. Os outros dois filhos se conduziam melhor. Ogum trabalhava no campo e Odé caçava na floresta das vizinhanças, de modo que a casas estava sempre abastecida de produtos agrícolas e de caça. Iemanjá, no entanto, andava inquieta e resolveu consultar um babalaô. Este lhe aconselhou proibir que Odé saísse à caça, pois se arriscava a encontrar Ossanha, aquele que detém o poder das plantas e que vivia nas profundezas da floresta. Odé ficaria exposto a um feitiço de Ossanha para obrigá-lo a permanecer em sua companhia. Iemanjá exigiu então, que Odé renunciasse a suas atividades de caçador. Este, porém, de personalidade independente, continuou sua incursões à floresta. Ele partia com outros caçadores, e como sempre faziam, uma vez chegados junto a uma grande árvore (ìrokò), separavam-se, prosseguindo isoladamente, e voltavam a encontrar-se no fim do dia e no mesmo lugar. Certa tarde, Odé não voltou para o reencontro, nem respondeu aos apelos dos caçadores. Ele havia encontrado Ossain e este lhe dera para beber uma poção onde foram maceradas certas folhas, como amúnimúyè, cujo nome significa "apossa-se de uma pessoa e de sua inteligência", o que provocou em Odé uma amnésia. Ele não sabia mais quem era nem onde morava. Ficou, então, vivendo na mata com Ossain, como predissera o babalaô.

Ogum, inquieto com a ausência do irmão, partiu à sua procura, encontrando-o nas profundezas da floresta. Ele o trouxe, mas Iemanjá não quis receber o filho desobediente. Ogum revoltado pela intransigência materna recusou-se a continuar em casa (é por isso que o lugar consagrado a Ogum está sempre instalado ao ar livre).Odé voltou para a companhia de Ossanha, e Iemanjá desesperada por ter perdido seus filhos, transformou-se num rio, chamado Ògùn (não confundir com Ògún , o orixá).

· Narrador desta lenda chamou a atenção para o fato de que "esses quatro deuses iorubás -Bará, Ogum, Odé e Ossanha - são igualmente simbolizados por objetos de ferro e vivem todos ao ar livre.".

Uma lenda explica como surgiu o nome de ÒSÓÒSÌ , derivado de ÒSÓWUSÌ ( o guarda-noturno é popular):

"Olófin Odùduà, rei de Ifé, celebrava a festa dos novos inhames, um ritual indispensável ao início da colheita, antes do quê, ninguém podia comer destes inhames. Chegado o dia, uma grande multidão reuniu-se no pátio do palácio real. Olófin estava sentado em grande estilo, magnificamente vestido, cercado de suas mulheres e de seus ministros enquanto os escravos o abanavam e espantavam as moscas, os tambores batiam e louvores eram entoados para saudá-lo.

As pessoas reunidas conversavam e festejavam alegremente, comendo dos novos inhames e bebendo vinho de palma. Subitamente um pássaro gigantesco voou sobre a festa, vindo pousar sobre o teto do prédio central do palácio. Esse pássaro malvado fora enviado pelas feiticeiras, as Ìyámi Òsòrònga, chamadas também as Eléye, isto é, as proprietárias dos pássaros, pois elas utilizam-nos para realizar seus nefastos trabalhos. A confusão e o desespero tomaram conta da multidão. Decidiram, então, trazer, sucessivamente, Oxotogum , o caçador das vinte flechadas, de Idô; Oxotogí, o caçador de quarenta flechas, de Moré; Oxotobá, o caçador das cinqüenta flechas, de Ilarê , e finalmente Oxotokanxoxô, o caçador de uma só flecha, de Iremã. Os três primeiros, muito seguros de si e uns tanto fanfarrões, fracassaram em suas tentativas de atingir o pássaro, apesar do tamanho deste e da habilidade dos atiradores. Chegada a vez de Oxotokanxoxô, filho único, sua mãe foi rapidamente consultar um babalaô, que lhe declarou: ' Seu filho está a um passo da morte ou da riqueza. Faça uma oferenda e a morte tornar-se-á riqueza.' Ela foi então colocar na estrada uma galinha, que havia sacrificado, abrindo-lhe o peito, como devem ser feitas as oferendas às feiticeiras, e dizendo-lhes três vezes: ' Que o peito do pássaro receba esta oferenda'. Foi no momento preciso que seu filho lançava sua única flecha. O pássaro relaxou o encanto que o protegia, para que a oferenda chegasse ao seu peito, mas foi a flecha de Oxotokanxoxô que o atingiu profundamente. O pássaro caiu pesadamente, se debateu e morreu. Todo mundo começou a dançar e cantar: 'Oxó é popular! Oxó é popular! Oxowussi! Oxowussi!! Oxowussi!


xango

Orixá da justiça. Comporta-se ora com severidade, ora com benevolência.

Dia da semana: terça-feira
Cor: vermelho e branco
Número de axés: 06, 12, 24, 112, etc.
Comida: amalá, (carne de peito, com mostarda e pirão)
Verdura: caruru, mostarda e alho.
Guias: vermelho e branca meio pôr meio
Ferramentas: machado balança, livro e búzios.
Ave: galo branco e casal de galinhas d'angola
Pombo: cor de telha
Quatro - pé: carneiro com guampa sem ser castrado
Peixe: pintado.
Lugar de oferendas: pedreira.
Frutas: banana, pêssego, ameixa branca e maçã.
Bicho de estimação: leão e gato
Função: demanda com justiça
Parte do corpo que Xangô rege: peito e língua
Sobrenome de Orixás: Aganju, Agodô, Dada, Iomí, Biosó, Delê,Onobô, Lual, Demí, Emí, Ibeji, Dei, Laquí, Dupã, Toqui Oní, Omibola,Salabejú, Bahí, Sobô.
Flor: cravos vermelho e branco
Características: dono dos trovões, justiça, pedreiras e espíritos.
Apelido: tramposo
Ervas: inhame, arruda, gervão.
Doce: marmelada e doce de banana
Saudação: kaô kabelecilê
Santos que o representa: Aganju-São Miguel e São Gabriel; Agodô-São Jerônimo.

Orixá considerado poderoso, brabo, impulsivo e facilmente irritável.Divide-se em Xangô Agodô, o mais velho que é o Orixá da justiça, deus do equilíbrio, dono da balança e Xangô Aganjú, dono das leis e das escritas, padroeiro dos intelectuais.Xangô é o Orixá da sabedoria, que gera o poder da política, é a ele que recorremos para resolver problemas com papéis, documentos e estudos.Pessoas regidas por Xangô são dotados de grande poder de liderança e inteligência, são falantes e exímios profissionais Normalmente os filhos de Xangô são grandes políticos e advogados.

Características Positivas: personalidade forte, fala segura, atraentes, falantes, de gargalhada farta. Amantes fervorosos e insaciáveis, alegres, mas de grande responsabilidade e astúcia. Os filhos de Xangô Aganjú são grandes articuladores, fadados ao sucesso. Não são de muito movimento, mas chamam muita atenção pela sua vaidade.

Características Negativas: Exigentes, são vingativos e não perdoam uma falha. Acham que só eles mesmo são capazes de realizar algo. Impiedosos, tem o prazer de fazer sofrer. Por falar demais não sabem guardar segredos.

Lendas

Como personagem histórico, Xangô teria sido o terceiro Aláàfìn Òyó, "Rei de Oyó", filho de Oranian e Torosi, a filha de Elempê, rei dos tapás, aquele que havia firmado uma aliança com Oranian. Xangô cresceu no país de sua mãe, indo instalar-se, mais tarde, em Kòso (Kossô), onde os habitantes não o aceitaram por causa de seu caráter violento e imperioso; mas ele conseguiu, finalmente, impor-se pela força. Em seguida, acompanhado pelo seu povo, dirigiu-se para Oyó, onde estabeleceu um bairro que recebeu o nome de Kossô. Conservou, assim, seu título de Oba Kòso, que, com o passar do tempo, veio a fazer parte de seus oríkì.

Dadá-Ajaká, filho mais velho de Oranian, irmão consangüíneo de Xangô reinava então em Oyó. Dadá é o nome dados pelos iorubás às crianças cujos cabelos cresciam em tufos que se frisam separadamente. "Ele amava as crianças, a beleza e as artes; de caráter calmo e pacífico... e não tinha a energia que um verdadeiro chefe dessa época". Xangô o destronou e Dadá-Ajaká exilou-se em Igboho, durante os sete anos de reinado de seu meio-irmão. Teve que se contentar, então, em usar uma coroa feita de búzios, chamada adé de baáyàni. Depois que Xangô deixou Oyó, Dadá-Ajaká voltou a reinar. Em contraste com a primeira vez, ele mostrou-se agora valente e guerreiro, voltou-se contra os parentes da família materna de Xangô, atacando os tapás.


yansa

É a divindade dos ventos, das tempestades, dos raios e dos redemoinhos.Dona da aliança é muito solicitada para resolver casos de união.

Dia da semana: segunda, terça, quarta e quinta -feira.
Cor: vermelho e branco
Número de axés: 07, 12, 14,77.
Comidas: batata doce frita, opeté (espécie de bolo) de batata doce, doce de batata, acarajé de feijão miúdo.
Guia: três contas vermelhas e uma branca
Parte do corpo que Iansã rege: menina dos olhos e sistema digestivo
Ferramentas: punhal, aliança, diadema, taça e búzios.
Lugar de oferendas: mata, cemitério, encruzilhada e pedreira.
Aves: galinha "carijó" e casal de galinha d'angola
Pombo: escuro
Quatro - pé: cabrita malhada, branco e preto (baia).
Peixe: pintado
Frutas: manga, maçã, pitanga.
Sobrenomes de Orixá: Niqué, Fomiqué, Timboa, Nidê, Nirê, Dê, Fanquê, Boci, Dinada, Miê, Demi, Insu, Egunita, Ladê, Talada, Bomí, Bossi, Tola, Duaê, Tuqué, Dirã
Flor: palma vermelha, rosas e cravos.
Características: rainha dos espíritos
Dia do ano: 04 de dezembro
Ervas: espada de Santa Bárbara, arruda e folha de pitangueira
Saudação: epaeio oiá
Apelido: rapariga
Animal de estimação: barata
Função: amor, amarração e demanda.
Santo que representa: Santa Bárbara.

Iansã ou Oiá. Deusa guerreira, divindade dos ventos, das tempestades, dos raios e dos redemoinhos.Mulher de sexualidade intensa e assumida, Esposa de Ogum e apaixonada por Xangô. Dona da aliança atua em todos os campos que envolvam o relacionamento amoroso, por isso é muito solicitada para resolver casos de união.Identifica-se com pessoas vaidosas e impetuosas, cuja velocidade de pensamento, a tagarelice e alegria são traços fortes. São pessoas muito animadas e felizes, pois fazem festa com tudo. Tem um forte dom para a magia e uma incrível capacidade de adaptação. Os filhos de Iansã estão sempre apaixonados ou se apaixonando, pois este orixá é a regente dos sentimentos fortes e audaciosos.

Características Positivas: Pessoas prestativas e trabalhadeiras, comunicativas, sensíveis e reservadas, ao mesmo tempo falantes e amigas. Perseverantes, otimistas, despachadas, categóricas, sabem o que querem. São dotadas de muita imaginação, decisões rápidas e audaciosas.Charmosas e atraentes.

Características Negativas: São vingativas, difíceis de perdoar e se aborrecem facilmente. Chantagistas, mentirosas e gostam de intrigas. Extremamente agitadas e confusas. Atrás da meiguice se esconde um forte veneno.

Lendas

IANSÃ- DONA DO TETO
OIÁ-IANSÃ

Oiá é a divindade dos ventos, das tempestades e do rio Níger que, em iorubá, chama-se Odò-Oya . Foi a primeira mulher de Xangô e tinha um temperamento ardente e impetuoso. Conta uma lenda que Xangô enviou-a em missão na terra dos baribas, a fim de buscar um preparado que, uma vez ingerido, lhe permitiria lançar fogo e chamas pela boca e pelo nariz. Oiá, desobedecendo às instruções do esposo, experimentou esse preparado, tornando-se também capaz de cuspir fogo, para grande desgosto de Xangô, que desejava guardar só para si esse terrível poder. Oiá foi ao entanto, a única das mulheres de Xangô que, ao final do seu reinado, segui-o na sua fuga parta Tapá. E, quando Xangô recolheu-se para debaixo da terra, em Kossô ela fez o mesmo em Irá.

Antes de se tornar mulher de Xangô, Oiá tinha vivido com Ogum. A aparência do deus do ferro e dos ferreiros causou-lhe menos efeito que a elegância o garbo e o brilho do deus do trovão. Ela fugiu com Xangô, e Ogum, enfurecido, resolveu enfrentar seu rival; mas este último foi à procura de Olodumaré, o deus supremo, para lhe confessar que havia ofendido a Ogum. Olodumaré interveio junto ao amante traído e recomendou-lhe que perdoasse a afronta. E explicou-lhe: "Você, Ogum, é mais velho do que Xangô! Se, como mais velho, deseja preservar sua dignidade aos olhos de Xangô e aos dos outros orixás, você não deve se aborrecer nem brigar: deve renunciar a Oiá sem recriminações". Mas Ogum não foi sensível a esse apelo, dirigido aos sentimentos de indulgência. Não se resignou tão calmamente assim, lançou-se à perseguição dos fugitivos e, trocou golpes de varas mágicas com a mulher infiel, que foi, então, dividida em nove partes. Este número 09, ligado a Oiá, está na origem de seu nome Iansã.

Uma outra indicação da origem desse nome nos é dada pela lenda da criação da roupa de Egúngún por Oiá. Roupas sob a quais, em certas circunstancias, os mortos de uma família volta a terra a fim de saudar seus descendentes. Oiá é o único orixá capaz de enfrentar e dominar os Egúngún. Oiá lamentava-se de não ter filhos. Esta triste situação era conseqüência da ignorância a respeito das suas proibições alimentares. Embora a carne de cabra lhe fosse recomendada, ela comia a de carneiro. Oiá consultou um babalaô, que lhe revelou seu erro, aconselhando-a a fazer oferendas, entre as quais deveria ser um tecido vermelho. Este pano, mais tarde, haveria de servir para confeccionar as vestimentas dos Egúngún. Tendo cumprido essa obrigação, Oiá tornou-se mãe de nove crianças, o que se exprime em iorubá pela frase: "Ìyá ommo mésàn", origem de seu nome Iansã.

Existe uma lenda conhecida na África e no Brasil, que explica de que maneiras os chifres de búfalo vieram a ser utilizados no ritual do culto de Oià-Iansã:

"Ogum foi caçar na floresta. Colocando-se à espreita, percebeu um búfalo que vinha em sua direção. Preparava-se para matá-lo quando o animal, parando subitamente, retirou a sua pele. Uma linda mulher apareceu diante de seus olhos. Era Oiá-Iansã. Ela escondeu a pele num formigueiro e dirigiu-se ao mercado da cidade vizinha. Ogum apossou-se do despojo, escondendo-o no fundo de um depósito de milho, ao lado de sua casa, indo, em seguida, ao mercado fazer a corte à mulher-búfalo. Ele chegou a pedi-la em casamento, mas Oiá recusou inicialmente. Entretanto, ela acabou aceitando, quando de volta a floresta, não mais achou a sua pele. Oiá recomendou ao caçador a não contar a ninguém que, na realidade, ela era um animal. Viveram bem durante alguns anos. Ela teve nove crianças, o que provocou o ciúme das outras esposas de Ogum. Estas, porém, conseguiram descobrir o segredo da aparição da nova a mulher. Logo que o marido se ausentou, elas começaram a cantar: 'Máa je, máa mu, àwo re nbe nínú àká', 'Você pode beber e comer ( e exibir sua beleza), mas a sua pele está no depósito (você é um animal)'.

Oiá compreendeu a alusão; encontrando a sua pele, vestiu-a e, voltando à forma de búfalo, matou as mulheres ciumentas. Em seguida, deixou os seus chifres com os filhos, dizendo: 'Em caso de necessidade, batam um contra o outro, e eu virei imediatamente em vosso socorro.' É por essa razão que chifres de búfalo são sempre colocados nos locais consagrados a Oiá-Iansã."


ogum

É o orixá da guerra, das artes manuais e do ferro.

Dia da semana: quinta-feira
Cor: vermelho e verde (07 contas de cada cor)
Parte do corpo que Ogum rege: costela e dentes
Ferramentas: espada, bigorna, martelo, troques, serrote, pregos, marreta, alicate, corrente, facão.
Lugar de oferendas: mata, encruzilhadas, cemitérios e praias.
Aves: galo "carijó" ou casal de galinhas d'angola
Pombo: escuro com branco
Quatro - pé: cabrito malhado (branco e preto)
Peixe: pintado
Frutas: laranja, marmelo e cana.
Sobrenomes de Orixá: Nira, Inira, Adiola, Taladê, Adio, Adoré, Alefa, Gué, Dei, Onira, Mejê, Avagã, Elefá, Djocô, Miratã, Ciribó, Orobá, Dalúa, Ire, Ló, Manicéo
Flor: palma vermelha e cravo vermelho
Características: guerreiro
Dia do ano: 23 de abril
Doce: doce de frutas e marmelo
Ervas: espada de São Jorge, lança de Ogum, inhami, arruda, eucalipto.
Saudação: ogum-nhê
Apelido: ferreiro
Animal de estimação: cavalo e cobra
Função: demanda
Santo que representa: São Jorge, Ogum Avagan: Santo Expedito

É o orixá da guerra, das artes manuais e do ferro, é o patrono do desenvolvimento e da tecnologia. Protetor daqueles que trabalham com ferro, com máquinas e coisas afins, sendo o Orixá invocado para defender e resolver problemas de trabalho. Pelo seu caráter guerreiro, considerado Patrono dos militares, é muito solicitado quando se deseja vencer demandas. Assim como o Bará Lodê o Ogum Avagã é o Ogum da Rua, cuida do templo e de problemas com polícia e arruaças. Tem fama de gostar de bebidas alcoólicas, graças à estória de ter sido embebedado por Iansã para que ela pudesse fugir com Xangô. É desbravador, com sua lança abriu novos caminhos e conquistou novos mundos.

Características Positivas: valentes, destemidos, buscam novos objetivos. São pessoas perspicazes, objetivas e corajosas. Amantes fiéis e constantes, dedicados à família. Geralmente bonitos, talentosos e inteligentes.

Características Negativas: Gananciosos, atrevidos. Usam a falsidade como tática de guerra, temperamentais e impiedosos.

Lendas

Ogum decidiu, depois de numerosos anos ausentes de Irê, voltar para visitar seu filho. Infelizmente, as pessoas da cidade celebravam no dia de sua chegada, uma cerimônia em que os participantes não podiam falar sob nenhum pretexto. Ogum tinha fome e sede; viu vários potes de vinho de palma, mas ignorava que estivessem vazios. Ninguém o havia saudado ou respondido às suas perguntas. Ele não era reconhecido no local por ter ficado ausente por muito tempo. Ogum, cuja paciência é pequena, enfureceu-se com o silêncio geral, por ele considerado ofensivo. Começou a quebrar com golpes de sabre os potes e, logo depois, sem poder se conter, passou a cortar as cabeças das pessoas mais próximas até que seu filho apareceu oferecendo-lhe as suas comidas prediletas, como cães e caramujos, feijão regado com azeite-de-dendê e potes de vinho de palma. Enquanto saciava a sua fome e a sua sede, os habitantes de Irê cantavam louvores. Satisfeito e acalmado Ogum lamentou seus atos de violência e declarou que já vivera bastante. Baixou a ponta de seu sabre em direção ao chão e desapareceu pela terra adentro com uma barulheira assustadora. Antes de desaparecer, entretanto, ele pronunciou algumas palavras. A essas palavras, ditas durante uma batalha, Ogum aparece imediatamente em socorro daquele que o evocou. Porém, elas não podem ser usadas em outras circunstâncias, pois, se não encontra inimigos diante de si, é sobre o imprudente que Ogum se lançará.

Uma história de Ifá, publicada em outra obra de Verger, explica como o número 07 foi relacionado a Ogum e o número 09 a Oiá-Iansã. Conta a lenda:

"Oiá era a companheira de Ogum antes de se tornar mulher de Xangô. Ela ajudava o deus dos ferreiros no seu trabalho; carregava docilmente seus instrumentos, da casa à oficina, e aí ela manejava o fole para ativar o fogo da forja. Um dia, Ogum ofereceu a Oiá uma vara de ferro semelhante a uma de sua propriedade e que tinha o dom de dividir em sete partes os homens e em nove as mulheres que por ela fossem tocados no decorrer de uma briga".

Xangô gostava de vir sentar-se à forja a fim de apreciar Ogum bater o ferro e, freqüentemente, lançava olhares a Oiá; esta por seu lado, também a olhava furtivamente. Xangô era muito elegante, muito elegante mesmo, afirmava o contador da história.Seus cabelos eram trançados como os de uma mulher e usava brincos, colares e pulseiras. Sua imponência e seu poder impressionaram Oiá. Aconteceu, então, o que era de se esperar: um belo dia, ela fugiu com ele. Ogum lançou-se à perseguição, encontrou os fugitivos e brandiu sua vara mágica. Oiá fez o mesmo e eles se tocaram ao mesmo tempo. E, assim, Ogum foi dividido em sete partes e Oiá, em nove, recebendo o nome de Ògúm Mejé e ela o de Iansã, cuja origem vem de Ìyámésan - 'a mãe (transformada em) nove'."


Bara



Orixá dinâmico e jovial. É o intermediário entre os homens e as divindades, por ser dono dos caminhos e das encruzilhadas, simboliza o movimento.

Dia da semana: segunda-feira
Cor: vermelha
Guia: vermelha ou corrente de aço
Parte do corpo Bará rege: esqueleto, pênis, pâncreas, uretra, urina, sangue.
Ferramentas: foice, chave, corrente, garfo, ponteira, punhal e cachimbo.
Lugar de oferendas: cruzeiros abertos, fechados, encruzilhadas.
Aves: galo vermelho ou casal de galinhas d'angola
Pombo: preto e cinza
Quatro - pé: bode preto para Bará Lodê, cabrito branco para Bará Agelú
Peixe: pintado
Frutas: manga, ameixa vermelha, butiá, maracujá, cana-de-açúcar.
Sobrenomes de Orixá: Lodê, Lanã, Tiriri, Adague, Burucu, Baluaê, Agelú,Toquí, Demí, Alupanda, Bi, Leba, Abanada, bô, Tolabí
Flor: cravo vermelho
Características: dono dos cruzeiros
Dia do ano: Lodê 29 de junho, demais Barás 13 de junho·.
Doce: caramelo, mel, negrinho (brigadeiro), bombons etc.
Ervas: fumo brabo, dinheiro em penca, arruda macho, alevante guiné, orô, arnica, cipó-mil-homens, carqueja, canela.
Saudação: alupo
Apelido: menino
Animal de estimação: rato
Função: abertura de caminho demanda etc...
Santo que representa: Lodê: São Pedro, demais Barás: Santo Antônio.
Dia do Ano: 13 de junho e 29 de junho

Primeiro Orixá do Panteon Africano, é dinâmico e jovial. É o intermediário entre os homens e as divindades, considerado o mensageiro. Dono dos caminhos e das encruzilhadas simboliza o movimento, portanto fecha e abre os caminhos. É um orixá das questões mais imediatas relacionadas a dinheiro e trabalho. É a ele que pedimos abertura nos negócios financeiros, pedimos que leve aos demais Orixás os nossos pedidos e agradecimentos, não teremos êxito sem antes pedirmos e ofertarmos algo ao Orixá Bará.

Os Barás dividem-se basicamente em dois tipos: "os de dentro de casa": Bará Agelú, Lanã, Adague, etc, considerados mais calmos em relação a Bará Lodê , o Bará da Rua, considerado violento e por isso é muito respeitado. O Bará Lodê é o guardião do templo e por isso deve-se cumprimentá-lo por primeiro ao entrar num terreiro de batuque. Seu assentamento e seus pertences ficam guardados á parte numa casinha, geralmente vermelha, na parte frontal do templo. Acompanham o Bará Lodê: Ogum Avagã e Iansã Timboá, igualmente denominados Orixás de rua.

É o mais humano dos orixás, por exemplo: adora agrados e oferendas, detesta água e chuva, nos dias chuvosos é inútil lhe entregar oferendas, nestes dias é melhor deixá-los guardado no Quarto-de-Santo ou Peji até que a chuva cesse.

Aqueles que são regidos por Bará, apresentam uma personalidade muito marcante e um comportamento cotidiano muito diverso. São pessoas altamente fiéis aos seus princípios, aos amigos e ás suas causas. São corajosos e dedicados. Amáveis, não medem esforços nem sacrifícios para auxiliar aqueles que ama. Excelentes amantes, a virilidade é uma característica básica daqueles regidos por este orixá.

Características Positivas: São comerciantes hábeis e espertos, profissionalmente sempre chegam ao seu objetivo, mesmo que para isto tenham que se empenhar de corpo e alma para conseguirem seus intentos. Fortes, capazes, românticos, felizes, participativos, francos, espertos, inquietos, saudáveis, sinceros, astutos, atentos, rápidos, despachados e sagazes.

Características Negativas: Severos e exigentes ao extremo, caprichosos, extremamente vaidosos e ambiciosos. Brigões, debochados, brincalhões, sempre esperam uma recompensa por aquilo que fizeram.Tem caráter dúbio, sendo gentil e maldoso ao mesmo tempo.

Lendas

Bará teve numerosas brigas com outros orixás, nem sempre saindo vencedor. Certas lendas nos contam seus sucessos e seus reveses nas suas relações com Oxalá, ao qual fez passar alguns maus momentos, em vingança por não haver recebido certas oferendas, quando Oxalá foi enviado por Olodumaré, o deus supremo, para criar o mundo. Bará provocou-lhe uma sede tão intensa que Oxalá bebeu vinho de palma em excesso, com conseqüências desastrosas...

Em outras lendas narra-se que houve uma disputa entre Bará e o Grande Orixá, para saber qual dos dois era o mais antigo e, em conseqüência, o mais respeitável. Oxalá provou sua superioridade durante um combate cheio de peripécias, ao fim do qual ele apoderou-se da cabacinha que encerra o poder de Bará, transformando-o em seu servidor. Durante uma competição da mesma natureza entre Bará e Xapanã, foi este último que saiu igualmente vencedor.

O lado malfazejo de Bará é evidenciado nas seguintes histórias:

Uma delas, bastante conhecida e da qual existem numerosas variações, conta como ele semeou discórdia entre dois amigos que estavam trabalhando em campos vizinhos. Ele colocou um boné vermelho de um lado e branco do outro e passou ao longo de um caminho que separava os dois campos. Ao fim de alguns instantes, um dos amigos fez alusão a um homem de boné vermelho; o outro retrucou que o boné era branco e o primeiro voltou a insistir, mantendo a sua afirmação; o segundo permaneceu firme na retificação. Como ambos eram de boa fé, apegavam-se a seus pontos de vista, sustentando-os com ardor e, logo depois, cólera. Acabaram lutando corpo a corpo e mataram-se um ao outro.

Uma história mais simples mostra a atividade de Bará na vida cotidiana: uma mulher se encontra no mercado vendendo seus produtos. Bará põe fogo na sua casa, ela corre para lá, abandonando seu negócio. A mulher chega tarde, a casa está queimada e, durante esse tempo, um ladrão levou as suas mercadorias.

Nada disso teria acontecido - nem os amigos teriam brigado, nem rei e o príncipe teriam se massacrado se tivessem feito a Bará as oferendas usuais.








  Mais notícias da seção BATUQUE RS no caderno ORIXÁS DA NAÇÃO CABINDA



Capa |  BARÁ  |  HISTORIA DA NAÇÃO CABINDA RS  |  OBA  |  ODE OTIM  |  ÒGÚN  |  ORIXÁS DA NAÇÃO CABINDA  |  OSSANHA  |  OXALA  |  OXUM  |  XANGÔ  |  XAPANA  |  YANSA  |  YEMANJA
Busca em

  
4 Notícias